Dicas de Saúde

Você já ouviu falar em dermatite da fralda?

 Por Ana Camila Backes

Pediatra e membro do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião

Também conhecida como eritema da fralda, tal dermatite é um termo que abrange as reações inflamatórias da pele que, causadas por substâncias irritativas como as fezes e a urina, acometem a área do corpo coberta pela fralda.

Apesar de dar nome às dermatoses, a fralda, por si só, raramente está implicada no desenvolvimento de dermatites de contato irritativas ou alérgicas.

A mais prevalente delas é a primária – também conhecida como assadura ou dermatite em W, em função do seu formato. Ela é caracterizada por vermelhidão brilhante que evolui para pele enrugada. Por vezes, são verificadas saliências associadas a inchaço e ligeira descamação.

A fim de evitá-las, atente para o seguinte:

– troque frequentemente as fraldas, evitando o contato prolongado da pele com as fezes e a urina;
– evite utilizar lenços umedecidos, preferindo algodão molhado para realizar a higienização da área;
– utilize pomadas com óxido de zinco como cremes de barreira, evitando pomadas combinadas com antibiótico, antifúngico ou corticoide;
– mantenha a pele o mais seca possível, aguardando alguns minutos para colocar uma nova fralda;
– opte por sabonetes com PH neutro ou ácido.

O tratamento geralmente é feito em casa, sob orientação do pediatra.

A Ansiedade em meio à Pandemia

Por Rodrigo Bolson Radins

Psiquiatra e integrante do corpo clínico
dos Hospitais Notre Dame Júlia Billiart e São Sebastião

Angústia, preocupação e um aperto no peito que não se consegue localizar, geralmente, acompanhados da sensação de falta de ar, de suor intenso e de aceleração cardíaca: esses são sintomas característicos da ansiedade.

Mesmo um tanto assustadora, ela é uma emoção comum ao ser humano, avisando-o sobre possíveis riscos e, inclusive, auxiliando-o a esquivar-se deles. Ela se manifesta, por exemplo, às vésperas de uma prova, motivando o aluno a estudar mais e conquistar um melhor desempenho. Ela, ainda, faz com que um indivíduo evite um percurso perigoso, preservando o seu bem-estar.

Neste ano, porém, a pandemia provocada pelo novo coronavírus representa uma nova fonte de ansiedade. Preocupamo-nos com a nossa própria saúde e com a dos nossos familiares; questionamo-nos acerca da segurança dos nossos empregos e sobre como será o retorno dos nossos filhos à escola…

Tantas são as incertezas que podemos perder o controle sobre a ansiedade. Por isso, é preciso adequar a rotina a este período atípico. E, sobretudo, respeitá-la.

Ter um horário para adormecer, despertar e alimentar-se; não vestir apenas pijamas; não abusar de bebidas alcoólicas e estimulantes, comidas calóricas ou drogas lícitas e ilícitas; manter uma rotina de atividades físicas; reduzir o tempo diante das telas; priorizar momentos de lazer pautados na interação com aqueles com quem coabita; e evitar cobranças demasiadas acerca do desempenho acadêmico ou profissional são medidas que fazem toda a diferença.

Se, ainda assim, a ansiedade se tornar insuportável ou paralisante, é fundamental procurar por ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.

 

Saiba mais sobre o condiloma anal

Por Grasiela Elisa Scheffel

Cirurgiã com Pós-graduação em Coloproctologia
e integrante do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião

Também conhecidos como verrugas anais, os condilomas são pequenas protuberâncias que podem afetar a pele em torno do ânus ou o interior do canal anal.

Considerados como Doença Sexualmente Transmissível, pois é através do contato íntimo e direto que ocorre a transmissão do seu agente causador: o Papiloma Vírus Humano. Entretanto, não é necessário haver penetração para o surgimento de lesões – cujo sintoma mais comum é a coceira.

Podendo causar sangramento e, mais raramente, dor, as verrugas costumam ser percebidas pelo próprio paciente. Porém, assim como podem surgir dentro do canal anal, as lesões podem ser muito planas, passando despercebidas durante a higiene. Por isso, é de grande importância a realização periódica de exame preventivo da região anal.

Identificando os condilomas, o coloproctologista irá recomendar o tratamento mais indicado – desde a aplicação local de medicamentos, quando é diagnosticado um pequeno número de verrugas, até intervenção cirúrgica.

É importante enfatizar que, por serem lesões causadas pelo HPV, elas podem estar relacionadas à ocorrência de câncer na região anal. Além disso, quando não tratadas, podem se espalhar ou crescer.

Também vale ressaltar que, mesmo após o tratamento mais recomendável, há a possibilidade de que os condilomas ressurjam. Por isso é imprescindível a realização periódica de exames.

No que diz respeito à sua prevenção, recomenda-se o uso de preservativo durante a relação sexual.

Saiba mais sobre o ceratocone

Por Camila Comin

Oftalmologista e membro do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião

Uma doença da córnea diagnosticada em uma a cada 2 mil pessoas, o ceratocone é caracterizado pelo aumento irregular da sua curvatura, de modo que o órgão assume o formato de um cone.

Afetando ligeiramente mais mulheres que homens, seus primeiros sintomas são, geralmente, identificados ainda na adolescência. Observa-se, então, que a doença costuma evoluir até os 30 ou 35 anos, quando ocorre uma estabilização natural.

O aparecimento e a progressão do ceratocone – cujos principais sintomas são o embaçamento e a distorção da visão, além do aumento frequente dos graus de miopia e astigmatismo – costumam decorrer de uma combinação entre fatores genéticos e ambientais, como o hábito de coçar os olhos.

Mesmo que já existam alternativas terapêuticas para a estabilização da doença e a reabilitação visual, como o uso de óculos e lentes de contato especiais ou, ainda, métodos cirúrgicos, deve-se evitar friccionar os olhos – ato que é o maior fator de risco para o surgimento do ceratocone.

Mas, afinal, o que um reumatologista trata?

Por Afonso Papke

Reumatologista e membro do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião 

O reumatologista é o médico especialista no tratamento de reumatismos – doenças que se manifestam em qualquer órgão e são caracterizadas pelo acometimento do Sistema Musculoesquelético, causando dor e inflamação nas articulações. Entre elas, estão a artrite reumatoide e a associada à psoríse, e espondiloartrite e o lúpus.

O reumatologista é, também, o profissional habilitado para o tratamento de dores crônicas não inflamatórias, como as de artrose e fibromialgia – doenças que podem ocorrer em qualquer idade, acarretando sérios prejuízos à qualidade de vida dos pacientes, caso os sintomas não sejam adequadamente tratados.

A atuação desse especialista, comumente, é norteada por avaliação clínica, além de exames laboratoriais e de imagem.

Você já ouviu falar em nódulo solitário de pulmão?

Por Saulo Cocio Martins Filho

Cirurgião Torácico e Pneumologista
e integrante do corpo clínico dos Hospitais Notre Dame Júlia Billiart e São Sebastião

Define-se o nódulo pulmonar solitário como a lesão discreta, com diâmetro entre 3 mm e 3 cm, que é completamente circundada por parênquima.

Frequentemente, tais nódulos são detectados de modo acidental, ao realizar-se uma radiografia de tórax. Nesses exames, contudo, as densidades de tecidos moles não pulmonares – como imagens de mamilos, verrugas, nódulos cutâneos e anormalidades ósseas – podem ser confundidas com nódulos pulmonares. Estes, por sua vez, caracterizam-se como malignos (câncer primário ou metastático) ou benignos (não cancerosos).

Mais de 90% dos nódulos com menos de 2 cm de diâmetro são benignos, como cistos ou tumores como hamartomas. Entre as causas para o seu desenvolvimento, estão doenças autoimunes, infecções por fungos e tuberculose.

Mesmo assim, é natural que a detecção de um nódulo motive a preocupação acerca do câncer – seja de pulmão ou proveniente de um outro órgão, disseminando-se para o pulmão.

São mais propensas ao desenvolvimento de nódulos malignos as pessoas que vivem a partir da sexta década de vida e fumam ou fumaram, por mais de 20 anos, cerca de 20 cigarros por dia. Também é muito importante a ocorrência de câncer de pulmão nos familiares. Raramente, porém, a exposição a produtos químicos e à radiação podem ser precursores da doença.

Dessa forma, em um paciente jovem, com nódulo pulmonar solitário de 0,4 cm, sólido, calcificado, bem definido e estável por mais de dois anos, a probabilidade de um processo benigno é extremamente alta. Já em um paciente idoso, tabagista, com nódulo pulmonar de 3 cm de diâmetro, não calcificado, especulado e com evidência de duplicação do seu volume em seis meses, o risco de a lesão ser maligna é muito elevada.

Por isso, é recomendado estimar probabilidades, antes da realização de teste de malignidade em pacientes que apresentem nódulo pulmonar solitário – seja qualitativamente, a partir de julgamento clínico, ou quantitativamente, por meio de modelos validados cientificamente.

O primeiro passo é, portanto, uma revisão das radiografias de tórax. Caso o paciente possua exames antigos, a simples comparação com o atual pode ajudar a definir a natureza do nódulo.

A tomografia computadorizada de tórax também colabora para a avaliação do nódulo, pois ela oferece um melhor detalhamento anatômico, permitindo identificar calcificação e gordura com maior precisão. Além de possibilitar a observação das características do nódulo, como tamanho, densidade e cavitações, o exame é fundamental para o diagnostico diferencial, já que oportuniza a detecção de diversas alterações, tais como linfadenopatias, bronquiectasia, tumores, cistos e nódulos pulmonares, alguns estágios de câncer de esôfago, aneurisma de aorta torácica, efusão pleural, pneumonia e suas complicações, tamponamento cardíaco e edema pulmonar, entre outras.

Quanto ao tratamento recomendado, ele pode ser de observação ou cirúrgico.

O primeiro é indicado se a presunção de doença maligna for muito baixa e a lesão menor que 1 cm de diâmetro ou se o paciente não for candidato à intervenção cirúrgica, de modo que a lesão seja monitorada ao terceiro mês após a sua identificação, ao sexto mês e, então, anualmente, por dois anos. Se, ao longo desse período, ela não crescer, provavelmente é benigna.

Já quando as causas não malignas são pouco prováveis, recomenda-se aos pacientes a ressecação – a não ser que a cirurgia esteja contraindicada em razão de baixa função pulmonar e comorbidades.

 

 

Compreenda o que é a obesidade mórbida infantil

Em entrevista à assessoria de comunicação da Rede de Hospitais Notre Dame, a nutricionista Jordana Tirloni da Silva apontou que a obesidade mórbida, ou seja, o acúmulo de uma grande quantidade de gordura no corpo, vem crescendo mais rapidamente na infância que na vida adulta.

Segundo a colaboradora do Hospital Notre Dame São Sebastião, esse dado é preocupante, pois estima-se que três a cada quatro crianças acima do peso se tornarão adolescentes obesos. Por sua vez, 89% dos adolescentes obesos deverão manter a condição quando adultos.

Além disso, a obesidade precoce favorece o surgimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e afeta o crescimento e desenvolvimento infantil, pois impacta a regulação hormonal. Pode, até mesmo, acarretar distúrbios psicológicos.

Confira, no áudio abaixo, a entrevista na íntegra:

Conheças as causas da cólica em bebês

Por Lilian Missio

Pediatra e integrante do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião

Iniciadas por volta da terceira semana de vida, as cólicas podem se estender até o quinto mês, contudo, é mais comum que cessem ainda no primeiro trimestre.

Elas fazem parte do amadurecimento do sistema digestivo do bebê. Por isso, o seu choro, caracterizado pela intensidade e pelo princípio e término abruptos, não deve causar desespero. O ideal, após verificar que o pranto não decorre de carência, fome, frio ou calor, nem da necessidade de troca das fraldas, é aquecer o abdômen do bebê, aconchegá-lo e deixá-lo em posição fetal.

Essas são medidas que ajudarão a contornar o desconforto, visto que a medicação é reservada para casos intensos, sob orientação pediátrica. A Sociedade Brasileira de Pediatria ainda recomenda:

  • Pegar o bebê no colo, de preferência deixando-o em contato direto com a barriga da mãe.
  • Enrolá-lo em uma manta ou em um cobertor.
  • Flexionar as coxas do bebê sobre a barriga.
  • Dar um banho morno ou aplicar compressas levemente aquecidas sobre a barriga do bebê.
  • Reduzir estímulos, como o barulho ou o contato com muitas pessoas, procurando por um ambiente tranquilo e com música ambiente suave.
  • Tentar estabelecer uma rotina.
  • Não oferecer chás, trocar a marca do leite ou usar medicamentos sem a orientação do pediatra.

 

Em meio a diferentes formas de luto, a empatia é ainda mais essencial

Por Luiz Henrique Toledo

Psicólogo pós-graduado em Avaliação e Diagnóstico Psicológico
e membro do quadro funcional do Hospital Notre Dame São Sebastião

Recentemente, um artigo publicado pela Harvard Business Review apontou que o intenso desconforto sentido por algumas pessoas, durante a pandemia de Covid-19, pode ser caracterizado como luto.

Segundo o estudo, as emoções decorrentes do período de isolamento social são vinculadas a sentimentos acarretados pela perda – neste caso, não necessariamente de uma pessoa, mas da liberdade.

Além desse luto, outros mais são experimentados graças ao surgimento do novo coronavírus, como o antecipatório – um luto fundamentado na ansiedade, que é vivenciado quando se percebe o futuro incerto, provocando uma ruptura com a sensação de segurança.

Para superar o luto, um bom começo é compreender os seus diferentes estágios – lembrando que eles não se desenrolam de forma linear e nem, necessariamente, na seguinte ordem:

– Negação: “Esse vírus não irá nos afetar.”
– Raiva: “Você está me fazendo ficar em casa e tirando minhas atividades.”
– Barganha: “Ok, se eu permanecer em isolamento social por duas semanas tudo ficará bem, certo?”
– Tristeza: “Eu não sei quando isso irá passar.”
– Aceitação: “Isso está acontecendo, eu preciso descobrir como proceder.”

É na aceitação que reside o poder, pois é nela que temos controle sobre as nossas atitudes – como fazer a correta higienização das mãos, manter uma distância segura dos outros indivíduos e buscar alternativas para trabalhar de forma remota.

Para alcançá-la, porém, é preciso estar presente – uma condição favorecida pela prática de meditação ou mindfulness. Afinal, no momento presente, nada do que você antecipa está acontecendo. Nele, você está bem.

É necessário, também, abrir mão daquilo sobre o que não se tem controle, direcionando esforços para aquilo está ao seu alcance – as posturas preventivas individuais, por exemplo.

Finalmente, este é um bom momento para praticar a compaixão, compreendendo que os indivíduos experimentam diferentes níveis de medo e de luto, que se manifestam de formas, também, diferenciadas.

 

 

 

Saiba mais sobre a Anestesia

Por Larissa Roberta Corso

Anestesiologista formada pela Universidade Federal da Fronteira Sul – Campi Chapecó
e integrante do corpo clínico do Hospital Notre Dame São Sebastião

De origem grega, a palavra anestesia significa “ausência de sensações”. Por isso, denomina o conjunto de técnicas que, por proporcionarem o alívio da dor, são utilizadas na realização de intervenções médicas, como cirurgias e exames.

O tipo de anestesia é recomendado de acordo com o procedimento a ser realizado, considerando também as características do paciente e os seus antecedentes médicos, de modo a prezar pelo seu conforto e, sobretudo, pela sua segurança.

A anestesia geral impede que todo o corpo experimente sensações. Por isso, sob o seu efeito, o paciente permanecerá adormecido.

Já a anestesia parcial, também denominada regional, suprime a sensibilidade de uma área do corpo, permitindo que o paciente permaneça acordado, se convier ao procedimento.

Em ambas, porém, o anestesiologista vigiará as suas funções vitais, zelando para que o organismo reaja com segurança à cirurgia ou ao exame. Não se tratam, portanto, de técnicas livres de complicações, mas elas foram reduzidas consideravelmente, com os avanços da tecnologia aplicada à Medicina.

Por isso, antes de submeter-se à anestesia, o paciente deve seguir rigorosamente todas as recomendações, além de informar o médico acerca de alergias ou doenças que exijam uso de medicação contínua.

Entre as orientações, costuma estar a do jejum – uma medida que evita a broncoaspiração, ou seja, o retorno do alimento do estômago para a boca e, consequentemente, para o pulmão.

Tal condição representa uma complicação potencialmente grave durante a anestesia, pois, diferentemente de quando desperto, o indivíduo sob o seu efeito perde o reflexo da tosse – processo que o protege da broncoaspiração.

O tempo de jejum varia, dependendo do alimento consumido, conforme ilustra a tabela abaixo:

– Líquidos claros (até 100ml) Água e chás claros
Gelatina
Podem ser consumidos até duas horas antes do procedimento
– Leite Materno Pode ser consumido até quatro horas
antes do procedimento
– Leite não humano

– Refeição leve

Leite animal ou fórmula infantil; ou uma fatia de pão sem cobertura ou até quatro bolachas de água e sal ou de polvilho sem recheio. Podem ser consumidos até seis horas
antes do procedimento
Alimentos sólidos Carne, gordura ou frituras

Bebidas de soja, com espessantes ou
achocolatados

Refrigerantes e sucos com
polpa ou de industrializados

Podem ser consumidos até oito horas
antes do procedimento